Prof. Wanderley Gurgel de Almeida*
Tudo como sempre fora: o desbotado e vago discurso do colonizador europeu, agora dirigido aos habitantes da Região Norte brasileira. Desta vez, de quem deveria conhecer e bem nossa Amazônia.
Vejamos bem o que disse O ministro de Assuntos Estratégicos e coordenador do Projeto Amazônia Sustentável (PAS), Mangabeira Unger “Nossa tarefa na Amazônia não se reduz à proteção da floresta e à organização do manejo florestal sustentável”, ressaltou Unger afirmando que a defesa da Amazônia não estará completa enquanto não forem colocados em prática projetos de desenvolvimento sustentável. “Sem projeto econômico, consequentemente, não haverá estruturas sociais produtivas e organizadas [na Amazônia] (...) Qualquer discussão nossa com o mundo a respeito da Amazônia é a reafirmação inequívoca e incondicional de nossa soberania. Quem cuida da Amazônia Brasileira é o Brasil e mais ninguém”, afirmou, segundo a Agência Brasil (28/05/2008).
Analisemos por partes. Primeira: “Nossa tarefa na Amazônia não se reduz à proteção da floresta e à organização do manejo florestal sustentável”. Ora, quem disse que isto é tarefa exclusiva dos “soldados da metrópole”? E que visão míope é esta de retirar o Homem e a Mulher da noção de ambiente? Será que apenas a floresta carece do “guarda-chuva” [de metal!] da “metrópole”? Como se pode conceber desenvolvimento sustentável omitindo a presença humana no espaço físico? E será que há apenas o bioma de floresta na Amazônia?
Segundo trecho: “Sem projeto econômico, consequentemente, não haverá estruturas sociais produtivas e organizadas [na Amazônia]”. Até quando teremos de suportar o mito de que populações tradicionais não têm projeto econômico, estrutura social produtiva e capacidade de organização [como se não fossem organizadas]?
Terceiro e último trecho: “Qualquer discussão nossa com o mundo a respeito da Amazônia é a reafirmação inequívoca e incondicional de nossa soberania. Quem cuida da Amazônia Brasileira é o Brasil e mais ninguém”. Os problemas da Amazônia é sim do interesse de cada um de seus habitantes e não apenas de uma cúpula política. Diria mais: é menos discussão e mais atitude, menos palavra e mais ação que sequer foi afirmada. Como reafirmar o que não foi afirmado, pois grande é o número de desassistidos de serviços básicos de saúde?
Pelo visto, estamos muito bem assessorados. E a academia não pode deixar passar em brancas nuvens, esse gênero de política governamental. E aí, o que esperar agora?
*Sociólogo, mestrando em Antropologia Social e Professor Efetivo do Estado de Roraima.
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quinta-feira, 29 de maio de 2008
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